Cultivar_33

A promoção da digitalização na Política Agrícola Comum – presente e futuro 99 vação, por razões estruturais, de organização e de prioridade e gestão das políticas públicas. Num contexto em que a maior certeza é a “incerteza”, a opção de criar condições que melhorem a gestão do risco e a decisão responsável promove a eficiência das políticas públicas e da gestão das empresas, mas obriga a investimentos significativos, desde logo ao nível da Administração. Ter políticas públicas que respondam de forma eficiente às necessidades do setor obriga a um exercício constante de acompanhamento e análise da situação de contexto e a uma mudança da forma como se olha e implementa a avaliação das políticas. Não como obrigação, mas como necessidade, não como interesse académico, mas como interesse de todos, não como objetivo, mas como meio para promover a sustentação e o debate de propostas no desenho das políticas e a responsabilização pelas decisões tomadas. Ter condições para realizar uma boa monitorização e avaliação de políticas públicas significa poder utilizar a informação existente nos sistemas de informação dos Programas, poder relacioná-la com a informação de contexto, e ter capacidade de análise e de produção de resultados que respondam a questões essenciais sobre os seus efeitos e como poderiam esses efeitos ser potenciados face a novas situações. É enorme o impacto que a transição digital pode ter na disponibilização de informação de contexto para aplicação das políticas públicas na agricultura, a vários níveis. Desde os dados de satélite até à colheita de dados digitais nas explorações agrícolas. Há, contudo, um conjunto de operações que têm de ser asseguradas para que os dados possam constituir informação segura de apoio à decisão. São necessários mecanismos regulatórios que assegurem a integridade dos dados e a sua validação para os fins de utilização, nomeadamente quando está em causa a utilização de dados individuais para extrapolação de padrões coletivos, como é o caso da sua utilização para efeitos de gestão e avaliação das políticas públicas. Isto implica a necessidade de criação de condições administrativas e materiais para que a transição digital constitua uma preciosa aliada na eficiência das políticas públicas, nomeadamente em recursos humanos e financeiros, (re)organização de sistemas de colheita e integração de dados, criação de capacidade de gestão da informação no planeamento e gestão das políticas. Há também a necessidade de fazer escolhas sobre o apoio a conceder ao setor que promova a integração tecnológica e digital das empresas, em benefício da sustentabilidade da atividade. A diversidade da nossa agricultura, da sua funcionalidade e da capacidade das empresas e dos territórios tem de ser considerada nessas escolhas. Uma coisa é certa, é preciso investir para lá chegar. O espaço para a revolução é enorme, mas vale a pena pensá-la em conjunto, ter noção dos problemas, das causas e efeitos, avançar com conhecimento, estabelecer regras, observar, avaliar as escolhas, alterá-las se for necessário, gerir os vários interesses, evitar que as políticas públicas sejam ineficientes, e manter clara a visão que queremos para o setor e para o seu papel no desenvolvimento do país.

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