Cultivar_33

A importância dos dados na descarbonização da agricultura portuguesa 51 Qual a metodologia específica para o setor Agricultura? Tal como referido anteriormente, o setor Agricultura, segundo esta metodologia proposta pelo IPCC, é um emissor, uma vez que o sequestro se encontra todo alocado ao setor LULUCF. No setor Agricultura2, que em Portugal representou cerca de 7 Mt CO₂ eq em 2023 (cerca de 13% das emissões nacionais), o NIR contabiliza emissões de CH₄ (fermentação entérica, gestão de efluentes pecuários, cultura do arroz e queima dos resíduos agrícolas), N₂O (gestão de efluentes pecuários, solos agrícolas e queima dos resíduos agrícolas) e CO₂ (calagem, aplicação de ureia e utilização de outros fertilizantes com carbono). A metodologia segue as diretrizes do IPCC de 2006, com as seguintes etapas: 1. Recolha de dados de atividade • População animal: Dados do INE, via Recenseamentos Agrícolas e Inquéritos às Explorações Agrícolas anuais e/ou plurianuais, a partir dos quais se consegue obter dados anuais da população de bovinos, ovinos, suínos, caprinos, equinos, aves e coelhos com uma desagregação considerável por idade e finalidade. Estes dados são cruciais para estimar as emissões de CH₄ da fermentação entérica e da gestão de estrumes. • Áreas e produções: Dados do INE, via Recenseamentos Agrícolas e Inquéritos às Explorações Agrícolas anuais e/ou plurianuais, a partir 2 A metodologia proposta pelo IPCC só considera no setor Agricultura as fontes de emissão de GEE da atividade agrícola, excluindo-se as emissões de combustíveis que entram no setor da energia (ex.: combustíveis para produção de fatores de produção agrícolas ou utilizados em maquinaria agrícola), bem como todas as fontes-sumidouros (ex.: pastagens melhoradas e sequestradoras). dos quais se consegue obter dados anuais da área, produção e respetiva produtividade por cultura. Estes dados são cruciais para estimar as emissões de N2O dos solos agrícolas e da queima de resíduos agrícolas e de CH4 no caso da cultura do arroz. • Uso de fertilizantes: Estimativas do INE que quantificam a aplicação de fertilizantes nitrogenados (sintéticos e orgânicos) com base no consumo aparente, essenciais para calcular emissões de N₂O e CO2, no caso de alguns fertilizantes específicos. • Práticas de gestão: O Ministério da Agricultura fornece dados sobre certas práticas como culturas de cobertura, enrelvamento da entrelinha, sementeira direta, não mobilização do solo ou mobilização mínima e área de pastagens biodiversas. 2. Fatores de emissão Portugal utiliza maioritariamente a abordagem Tier 1 para o cálculo das suas emissões, aplicando fatores de emissão padrão do IPCC. Atualmente tem vindo a implementar alguns fatores de emissão Tier 2, incorporando fatores ajustados às condições nacionais. No que se refere aos fatores de emissão Tier 2, podemos dar o exemplo da Fermentação Entérica e Gestão de Efluentes Pecuários, em que Portugal já corrigiu o fator de emissão médio de acordo com as raças autóctones portuguesas e a sua proporção, uma vez que são raças bastante menos intensivas, com menor ingestão de alimento, taxas de digestibilidade diferentes e, consequentemente, diferentes emissões por animal. No setor Agricultura, que em Portugal representou cerca de 7 Mt CO₂ eq em 2023 (cerca de 13% das emissões nacionais), o NIR contabiliza emissões de CH₄, N₂O e CO₂ … podemos dar o exemplo da Fermentação Entérica e Gestão de Efluentes Pecuários, em que Portugal já corrigiu o fator de emissão médio de acordo com as raças autóctones portuguesas e a sua proporção, uma vez que são raças bastante menos intensivas …

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