Cultivar_33

28 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura competências específicas, a dificuldades de conectividade digital no espaço rural, etc. Dito isto, convém referir que encontramos hoje em Portugal exemplos extraordinários de inovação digital no setor agrícola, que importa partilhar e replicar, um número crescente de organizações que promovem a partilha de conhecimento nesta área e um setor emergente de empresas de prestação de serviços que colocam no mercado esta capacidade como serviço. Assim, estando a digitalização do setor agrícola e florestal a redefinir paulatinamente os modelos de produção, gestão e planeamento, abrindo caminho para uma agricultura mais eficiente, resiliente e sustentável, será que estamos mesmo a viver um momento de disrupção impulsionado pela ciência de dados e pela Inteligência Artificial (IA), em particular a IA Generativa, que irá marcar efetivamente um ponto de viragem? O valor dos dados A expressão “agricultura inteligente” traduz uma realidade em que exploramos ao limite as capacidades analíticas ao nosso dispor, na atualidade em aceleração exponencial com o advento da IA generativa, cujas fundações assentam na recolha, integração e análise de dados. Estas capacidades são fatores determinantes na tomada de decisão, quer em termos operacionais, quer de planeamento. Através da combinação de sensores, sistemas de georreferenciação, imagens de satélite, previsões meteorológicas e plataformas digitais, é hoje possível aceder a grandes volumes de dados — estruturados e não estruturados — que permitem monitorizar em tempo real as condições das explorações agrícolas, antecipar riscos, otimizar recursos e melhorar resultados. Contudo, os dados em si mesmos não têm valor intrínseco. O seu verdadeiro potencial reside na capacidade de os transformar em informação útil e conhecimento acionável. Esta transformação pressupõe a existência de processos de governação de dados, metodologias robustas de análise, enquadramentos científicos rigorosos, e uma clara orientação para a resolução de problemas concretos. O paradigma atual, onde a aceleração das capacidades analíticas é o novo normal, assenta, assim, na valorização dos dados como base para processos de decisão informados, transparentes e eficazes. Governação de dados: o calcanhar de Aquiles No entanto, apesar desta crescente capacidade de captura de dados de múltiplas fontes e formatos, a governação dos dados continua a representar um dos maiores desafios para a plena concretização do potencial da agricultura inteligente. A governação de dados é o conjunto estruturado de processos, políticas, funções e tecnologias que asseguram a gestão eficaz e responsável dos dados dentro de uma organização e entre organizações. Este conceito ganhou especial relevância num contexto em que o volume, a diversidade e a velocidade da produção de dados se intensificaram significativamente, exigindo novas formas de controlo e valorização deste ativo. A governação de dados visa garantir que os dados são precisos, consistentes, acessíveis, seguros e utilizados de forma ética e conforme os regulamentos em vigor, como o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). Para isso, envolve o estabelecimento de regras claras sobre como os dados são geridos ao longo do seu ciclo de vida, bem como a definição de responsabilidades e a implementação de mecanismos para assegurar a qualidade, a segurança e a rastreabilidade dos dados. No setor agrícola, por exemplo, a governação de dados é crítica para assegurar a interoperabilidade … os dados em si mesmos não têm valor intrínseco. O seu verdadeiro potencial reside na capacidade de os transformar em informação útil e conhecimento acionável. Esta transformação pressupõe … processos de governação de dados, metodologias robustas de análise, enquadramentos científicos rigorosos, e uma clara orientação para a resolução de problemas concretos.

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