Cultivar_33

AgronomIA – será que a Inteligência Artificial nos coloca perante uma revolução agrícola baseada em dados? 29 entre sistemas de monitorização remota, plataformas de apoio à decisão e bases de dados públicas e privadas. Uma abordagem robusta à governação de dados neste contexto permite melhorar a transparência, a rastreabilidade e a sustentabilidade da cadeia de valor agrícola, facilitando simultaneamente a inovação através do uso de Inteligência Artificial e analítica avançada. Ao assegurar a confiança nos dados partilhados entre agricultores, empresas, academia e administração, a governação de dados torna-se um pilar essencial da transformação digital no mundo rural. Efetivamente a tomada de decisão no setor agrícola requer dados internos à exploração (produção, rega, fertilização, saúde vegetal), mas também dados de contexto externo, como séries climáticas, preços de mercado, uso do solo ou indicadores de biodiversidade. São estes dados de contexto que permitem enriquecer a análise, reduzir riscos e antecipar cenários, sendo que a sua fragmentação, dispersão e opacidade dificultam a sua interoperabilidade e limitam a sua aplicabilidade em modelos de análise e previsão. Hoje a governação dos dados é talvez o fator mais negligenciado — e ao mesmo tempo o mais crucial — na construção de uma agricultura verdadeiramente inteligente. É, por isso, fundamental promover uma governação de dados orientada para o valor público, com forte componente de curadoria, e suportada por políticas robustas de dados abertos. A criação de infraestruturas digitais interoperáveis, como portais de dados abertos, observatórios temáticos e sistemas de conhecimento agrícola constituem passos cruciais para garantir que a informação de enorme valor que é produzida pelos diferentes atores públicos e privados do setor não se esgota nesse processo, mas que alimenta bases de dados abertas capazes de serem transformadas em conhecimento acessível, confiável e útil para agricultores, investigadores, técnicos e decisores políticos. Por isso, é urgente implementar políticas públicas robustas de dados abertos no setor agroflorestal. Tal como a energia ou as estradas, os dados devem ser tratados como infraestruturas críticas. A criação e manutenção de portais de dados abertos, plataformas de interoperabilidade, e observatórios nacionais — como o Observatório Nacional da Produção Biológica ou o da Desertificação — são passos fundamentais nesse caminho. Só com dados abertos, acessíveis e curados é possível criar soluções tecnológicas fiáveis, treinar algoritmos de IA com qualidade e garantir que os agricultores têm acesso ao conhecimento mais relevante para as suas decisões. E só com governação transparente e colaborativa se poderá construir a confiança necessária para que os agricultores participem neste novo ecossistema digital. Inteligência Artificial A Inteligência Artificial (IA), não sendo nova, está a assumir um papel cada vez mais central na modernização da agricultura e das florestas. A sua capacidade de extrair padrões, identificar correlações ocultas e gerar previsões com elevado grau de precisão permite apoiar decisões em contextos marcados pela complexidade, variabilidade e incerteza. No setor agrícola … a governação de dados é crítica para assegurar a interoperabilidade entre sistemas de monitorização remota, plataformas de apoio à decisão e bases de dados públicas e privadas. … é urgente implementar políticas públicas robustas de dados abertos no setor agroflorestal. Tal como a energia ou as estradas, os dados devem ser tratados como infraestruturas críticas. E só com governação transparente e colaborativa se poderá construir a confiança necessária para que os agricultores participem neste novo ecossistema digital.

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