70 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 34 DEZEMBRO 2025 período entre 2006 e 2016, sobretudo de “Matos”. No entanto, essa tendência alterou-se em 2017 para a superfície florestal, com exceção do ano 2021. A superfície agrícola ardida representa uma fração menor, mas as ocorrências afetam sempre a produção e as infraestruturas das explorações. Economia da silvicultura A produção da silvicultura em 2022 mostrava, de acordo com as Contas Económicas do setor publicadas pelo INE, uma leve contração face a 1986 (-1,5%). Nos anos apresentados na Tabela 16 verificamos uma trajetória ligeiramente crescente entre 2019 e 2021, seguida de um recuo de -2,2%, deixando transparecer alguma estabilidade e maturidade do setor. Analisando os vários produtos da silvicultura, pode- -se constatar um crescimento de 3,2% da produção de madeira de folhosas para triturar, indicando aumento da procura da indústria da pasta e papel e dos serviços silvícolas, que cresceram 18,4%, refletindo maior atividade de operações de silvicultura preventiva, rearborização e manutenção pós-incêndio. Observa-se uma estabilização no crescimento da floresta, revelando maturidade dos povoamentos existentes e da produção de madeira para energia. Por último, há uma redução na produção de cortiça de -15,3%, que se pode explicar pelos seus ciclos de extração, risco climático (secas e incêndios) e menos exportações. O VAB teve um decréscimo bastante significativo comparativamente a 1986, com uma redução de -18,4%. No período aqui apresentado, regista-se uma quebra de -3,5%, que poderá dever-se a aumento de custos e inflação dos fatores de produção que possam ter ocorrido durante e após a pandemia de COVID19. O volume de mão-de-obra cresceu 8,3% face a 1986 e a 2019, o que reflete uma maior intensidade laboral. No entanto, a produtividade tem vindo a apresentar uma queda acentuada, com uma variação de -25% face a 1986 e -11% em relação a 2019, o que se explica pelo aumento do emprego e decréscimo do VAB, trabalhos mais intensivos e aumento dos custos de contexto. A FBCF teve uma quebra bastante significativa de -52,2%, comparativamente a1986, e -25%, em relação a 2019, revelando uma forte retração do investimento, que compromete a renovação dos povoamentos (diminuição de -27% na florestação e reflorestação) e em produtos não florestais como infraestruturas e máquinas (-23%), o que significa que o setor está a consumir capital. Os mecanismos das políticas públicas, sobretudo da PAC, são importantes para o setor. Os pagamentos diretos podem contribuir para estabilizar o rendimento e evitar o abandono do território; as ajudas do segundo pilar podem financiar investimentos em maquinarias e infraestruturas; os incentivos por práticas ambientalmente favoráveis incentivam as práticas de gestão sustentável, que podem ajudar a reduzir o risco de incêndio e a favorecer a resiliência. Assim, pela análise dos números apresentados, verifica-se que a PAC tem contribuído para que a superfície florestal se mantenha ativa e produtiva, mas a queda acentuada da FBCF parece sugerir que as Gráfico 17 – Incêndios rurais: ocupação do solo da superfície ardida (2006-2024) Fonte: INE, a partir de ICNF, DRRF RAA, IFCN RAM; Estatísticas florestais; ICNF 30 Fonte: ICNF Gráfico 16 – Incêndios rurais: ocupação do solo da superGcie ardida (2006-2024) Fonte: INE, a partir de ICNF, DRRF RAA, IFCN RAM; Estatísticas florestais; ICNF Economia da silvicultura A produção da silvicultura em 2022 mostrava, de acordo com as Contas Económicas do setor publicadas pelo INE, uma leve contração face a 1986 (-1,5%). Nos anos apresentados na Tabela 16 verificamos uma trajetória ligeiramente crescente entre 2019 e 2021, seguida de um recuo de -2,2%, deixando transparecer alguma estabilidade e maturidade do setor. Analisando os vários produtos da silvicultura, pode-se constatar um crescimento de 3,2% da produção de madeira de folhosas para triturar, indicando aumento da procura da indústria da pasta e papel e dos serviços silvícolas, que cresceram 18,4%, refletindo maior atividade de operações de silvicultura preventiva, rearborização e manutenção pós-incêndio. Observa-se uma estabilização no crescimento da floresta, revelando maturidade dos povoamentos existentes e da !"#$ %!"#$ &!"#$ '()*+* ,16"7!8! 7!88"*"7!89 7!8:"*"7!7! ;0K.2("/0"7!7! !" #$%$" &'&$%E)E* !" #$%$" &'&$%E)EE !" #$%$" &'&$%E)EK !" #$%$" &'&$%E)E/ )%5S /)%5S I)%5S TU9$:$
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