60 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 34 DEZEMBRO 2025 • Rendimento médio inferior ao registado nas APU e AMU; • Peso mais significativo do emprego agrícola, o que reflete a centralidade do setor nas APR; • Reduzida intensidade de inovação e tecnologia, o que reflete menor capitalização e digitalização; • Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) com níveis substancialmente inferiores aos verificados nas áreas urbanas, limitando a competitividade; • Mobilidade reduzida com menos acessibilidades e ligações, afastando as APR dos mercados e centros de decisão. Estes fatores demonstram as fragilidades estruturais destes territórios e a sua dependência de mecanismos compensatórios de políticas públicas. Neste sentido, a PAC tem tido um papel crucial na redução das disparidades entre territórios rurais e urbanos, sobretudo através do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER), no âmbito do seu segundo pilar, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das áreas rurais, através de três objetivos de longo prazo: 1. Aumento da competitividade da agricultura e da silvicultura; 2. Garantia da gestão sustentável dos recursos naturais e ações no domínio do clima; 3. Desenvolvimento territorial equilibrado das economias e comunidades rurais, nomeadamente através da criação e manutenção de postos de trabalho. Apesar dos contributos positivos da PAC nas APR, como a manutenção da atividade agrícola em zonas de baixa densidade; o apoio ao investimento estrutural que tem efeitos na produtividade (sistemas de rega, modernização de maquinaria, inovação tecnológica e digitalização); o reforço dos incentivos ambientais e das alterações climáticas, é importante ter em conta a subsistência de constrangimentos e desafios significativos: • Distribuição desigual dos pagamentos diretos, cujos apoios estão mais concentrados nas explorações de grande dimensão e com menos fragilidades; • Dificuldade na sucessão familiar e consequente rejuvenescimento da atividade, devido à quase inexistente taxa de renovação geracional agrícola; • Pouco investimento em serviços essenciais, limitando a atratividade das APR e o desenvolvimento socioeconómico; • Dependência dos apoios públicos da PAC, sobretudo nas explorações de pequena dimensão. A tipologia urbano-rural da União Europeia (UE), derivada da metodologia da OCDE, tem em conta a percentagem da população rural nas NUTS III, dividindo o território em regiões predominantemente urbanas; regiões intermédias e regiões predominantemente rurais (ver legenda da figura Mapa 5). Assim, tendo em conta este enquadramento, verificamos que Portugal é o 4º país da UE27 com maior peso da área rural (79%), bastante acima da média (44,7%), tendo apenas duas NUTS III classificadas como predominantemente urbanas (AMP e AML) e cinco como intermédias (Cávado, Ave, Tâmega e Sousa, Região de Aveiro e Algarve). Comparativamente com a UE27, o peso da população residente nas regiões rurais em Portugal é substancialmente superior (30,5% vs 19,2%), verificando-se ainda que a população na UE27 é mais jovem (25% no grupo < 25 anos) do que em Portugal (21,2%), onde o grupo idoso (≥ 65 anos) tem maior representatividade (28,3% vs 23,5%). O facto de uma parte muito significativa da superfície do país estar classificada como rural, e onde reside apenas 30,5% da população, é suficiente para explicar uma densidade demográfica inferior à verificada na UE27 nestas regiões (44 hab/km2 vs. 50 hab/km2). Os indicadores de emprego em 2023 mostravam que Portugal tinha no global do país uma taxa de emprego superior à registada pela média da UE27 (63,5% vs. 61,7%). No entanto, nas regiões rurais passava-se o contrário (59,5% vs. 60,5%). Quanto ao desemprego, tendo em conta a população entre os 15 e os 74 anos, a informação apresenta Portugal com uma taxa superior a nível geral (6,5% vs. 5,9%) e
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