Cultivar_34_FuturodaPAC

112 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 34 O futuro da Política Agrícola Comum Abordagem metodológica O exercício assenta na Integrated Modelling Platform for Agro-economic Commodity and Policy Analysis (iMAP – Plataforma de Modelação Integrada para Análise Agro-económica de Produtos e Políticas) do JRC, combinando três modelos complementares: • MAGNET2, um modelo utilizado para avaliar impactos macroeconómicos, redistribuição entre regiões, comércio internacional e efeitos no PIB • CAPRI3, um modelo de equilíbrio parcial especificamente desenhado para a análise da agricultura, com forte desagregação regional na UE (até NUTS2), permitindo avaliar produção, preços, comércio e indicadores ambientais • IFM-CAP4, um modelo ao nível da exploração agrícola, baseado em dados RICA, que permite captar a heterogeneidade estrutural das explorações em termos de dimensão económica, especialização produtiva e rendimento A utilização integrada destes três modelos permite uma leitura coerente dos impactos desde o nível global ao nível microeconómico, assegurando consistência entre decisões individuais dos agricultores, funcionamento dos mercados e efeitos macroeconómicos. O cenário de referência (baseline) foi “calibrado” com base no EU Agricultural Outlook 20235, integrando projeções macroeconómicas, evolução demográfica, padrões de consumo e a implementação integral dos Planos Estratégicos da PAC 2023–2027. O estudo analisou três cenários distintos: 1. Produtividade e Investimento (Prod&Inv) 2. Ambiente e Clima (Env&Clim) 3. Sem PAC (NoCAP) 2 https://web.jrc.ec.europa.eu/policy-model-inventory/explore/models/model-magnet/ 3 https://web.jrc.ec.europa.eu/policy-model-inventory/explore/models/model-capri-print/ 4 https://web.jrc.ec.europa.eu/policy-model-inventory/explore/models/model-ifm-cap-print/ 5 https://agriculture.ec.europa.eu/system/files/2024-01/agricultural-outlook-2023-report_en_0.pdf Em todos os cenários, e isso é importante referir, foi assumida a neutralidade do orçamento da UE, alterando-se apenas a distribuição dos apoios entre instrumentos e, consequentemente, os níveis de cofinanciamento nacional. Cenário “Produtividade e Investimento” Este cenário privilegia a competitividade, a inovação e o investimento, reduzindo o peso dos pagamentos diretos e dos pagamentos ambientais, e reforçando os instrumentos orientados para ganhos de eficiência produtiva. A lógica subjacente é que o investimento em tecnologia, conhecimento e capital físico permite reduzir custos unitários e reforçar a posição da UE nos mercados internacionais. Impactos na produção: • Produção agrícola total da UE: +2% a +3% • Cereais: +1,7% • Oleaginosas: +2,3% • Hortofrutícolas: +3% • Produção pecuária: +3,8% (leite +1,8%) Impactos nos preços e consumo: • Preços dos alimentos ao consumidor: –0,5% a –1% • Frutas e frutos secos: –2,7% • Legumes e leguminosas: –2% • A despesa alimentar das famílias reduz-se cerca de 0,5% Comércio e autossuficiência: • Exportações agroalimentares: +0,7% (+1,3 mil milhões €) • Importações: –1,2% (–1,4 mil milhões €) • Melhoria moderada da autossuficiência, sobretudo em cereais, oleaginosas e hortofrutícolas (ganhos de 1% a 3%, consoante o setor)

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