Cultivar_33

O uso de dados no contexto da extensão rural: inovação, conhecimento, formação e aplicação 77 são, utilização e automação de voos de drones, como soluções de apoio às microvinificações da AVIPE, por exemplo, sensores de medição de densidades. Fomentando uma ideia de grupo e gerando entusiasmo, é possível obter bons resultados, a custos controlados, ao mesmo tempo que possibilitamos boas hipóteses de crescimento e aprendizagem aos alunos e contribuímos para uma valorização territorial. De referir ainda que, no contexto da eficiência energética, a AVIPE esteve integrada num projeto onde foi possível dotar os agricultores com painéis solares e/ ou variadores de bombas para diminuir os consumos energéticos. Com o acolhimento de dois estagiários da ATEC, tem sido possível estudar, para diversos agricultores, os pontos de melhoria, o uso de energia eólica para pequena geração, assim como a possibilidade de constituir uma comunidade de energia. A participação da AVIPE no projeto europeu do programa LIFE, H2OLOCK4, possibilitou a instalação de painéis solares flutuantes numa charca de um agricultor, e com isso ajudar à rega de uma vinha de 30 ha. É precisamente na rega que a AVIPE tem tido uma dedicação maior. Numa região de solos essencialmente arenosos em que cerca de 70% das vinhas são regadas, mais do que uma questão de sobrevivência das plantas, a existência de rega permite estabilidade das produções e maturações e, com isso, estabilidade nos rendimentos dos agricultores. Jogando 4 https://h2olock.es/pt/ com a fisiologia da planta, é possível definir a estratégia de rega em função dos objetivos dos viticultores. No entanto, a vinha é uma cultura em que, se a água não for bem gerida nos momentos-chave, a uva não amadurece ou as folhas ficam mais suscetíveis a ataques de pragas e doenças. É neste balanço entre o “deve e o haver” que a AVIPE apoia os seus agricultores nas recomendações de “quando” e “quanto” se deve regar. Desde 2020 que a AVIPE monitoriza, com recurso a câmara de pressão, cerca de 20 castas, em sequeiro, permitindo um melhor conhecimento dos seus comportamentos. Assim, foi possível constatar, em duas castas bastante representativas da região, Castelão e Moscatel de Alexandria, que esses comportamentos são bastante díspares, justificando assim uma gestão de rega diferenciada. Sendo a questão da água sensível e merecedora de toda a atenção a nível nacional, no caso da Península de Setúbal, ela assume um caráter particular. Não havendo barragens ou perímetros de rega, toda a Figura 6 – Alunos da ATEC em afinações numa estação meteorológica Figura 7 – Instalação de painéis solares flutuantes no âmbito do projeto H2OLOCK “quando” e “quanto” se deve regar. Desde 2020 que a AVIPE monitoriza, com recurso a câmara de pressão, cerca de 20 castas, em sequeiro, permitindo um melhor conhecimento dos seus comportamentos. Assim, foi possível constatar, em duas castas bastante representativas da região, Castelão e Moscatel de Alexandria, que esses comportamentos são bastante díspares, justificando assim uma gestão de rega diferenciada. Figura 8 – Comparação entre estados hídricos em Castelão e Moscatel de Alexandria Sendo a questão da água sensível e merecedora de toda a atenção a nível nacional, no caso da Península de Setúbal, ela assume um caráter particular. Não havendo barragens ou perímetros de rega, toda a disponibilidade de água para rega ou abastecimento às populações é obtida por furos. Porém, por decisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), as execuções de furos para uso de rega estão proibidas há cerca de dois anos. A justificação remete para um balanço negativo entre “extrações” e “recargas” do aquífero. No entanto, o aquífero onde a região se insere é o maior do país, estendendo-se até ao Ribatejo, região onde não existem tais proibições. Acresce ainda a desconfiança sobre os registos dos níveis dos lençóis freáticos, devido à inconsistência nessas medições. Foi neste sentido que a AVIPE efetuou, durante 6 meses, a monitorização do lençol freático e pretende criar uma rede de medições envolvendo cerca de 50 agricultores. Figura 9 – Medição da profundidade de dois lençóis freáticos e sua variação ao longo de 6 meses 60.00 Figura 8 – Comparação entre estados hídricos em Castelão e Moscatel de Alexandria

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