74 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura Sabendo-se que os fungos necessitam de calor e humidade para se desenvolver, em anos como o referido, a AVIPE teve agricultores que não fizeram qualquer tratamento entre março e junho com fungicidas e, os que fizeram, basearam-se num receio popular, legítimo, mas apenas com duas ou três aplicações. Foi a presença frequente da AVIPE no campo, e uma relação de confiança de mais de 20 anos em alguns casos, que permitiu esta gestão. Foram decisões suportadas nos dados, no histórico das parcelas, no conhecimento das substâncias ativas, na correta calibração de pulverizadores com escolha acertada de bicos e pressão. A estes dados, junta-se a consulta de previsões meteorológicas acessíveis a qualquer um para se fazer a avaliação do risco. Estas avaliações, para além de considerarem os volumes de precipitação e temperatura, olham também para o vento, horas de folhas de molhada e, mais concretamente, para Figura 1 – Anomalias na temperatura entre 2022-2023 e 1971-2000 Figura 2 – Anomalias na precipitação entre 2022-2023 e 1971-2000 Temperatura (ºC) 2 Figura 1 – Anomalias na temperatura entre 2022-2023 e 1971-2000 Figura 2 – Anomalias na precipitação entre 2022-2023 e 1971-2000 Sabendo-se que os fungos necessitam de calor e humidade para se desenvolver, em anos como o referido, a AVIPE teve agricultores que não fizeram qualquer tratamento entre março e junho com fungicidas e, os que fizeram, basearam-se num receio popular, legítimo, mas apenas com duas ou três aplicações. Foi a presença frequente da AVIPE no campo, e uma relação de confiança de mais de 20 anos em alguns casos, que permitiu esta gestão. Foram decisões suportadas nos dados, no histórico das parcelas, no conhecimento das substâncias ativas, na correta calibração de pulverizadores com escolha acertada de bicos e pressão. A estes dados, junta-se a consulta de previsões meteorológicas acessíveis a qualquer um para se fazer a avaliação do risco. Estas avaliações, para além de considerarem os volumes de precipitação e temperatura, olham também para o vento, horas de folhas de molhada e, mais concretamente, para as temperaturas que se verificam quando chove ou quando as humidades relativas estão mais elevadas. Não será por se instalarem mais estações meteorológicas nem por se adotarem modelos de doença mais comerciais que os resultados serão melhores, mas sim pela sua análise. As soluções comerciais poderão ajudar na definição do risco, com base nos dados recolhidos ao longo do tempo, mas importa ter em conta as circunstâncias particulares das doenças, as suas formas de proteção, o histórico da parcela e a variedade em causa. Por exemplo, no caso do oídio, é fulcral conhecer a existência de inóculo para, se for necessário, iniciar uma estratégia preventiva mesmo antes das condições climáticas o indicarem. No caso do -100.0 -80.0 -60.0 -40.0 -20.0 0.0 20.0 40.0 60.0 80.0 Precepitation (mm) 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 0.0 -0.5 -1.0 Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro 2 gura 1 – Anomalias na temperatura entre 2022-2023 e 1971-2000 gura 2 – Anomalias na precipitação entre 2022-2023 e 1971-2000 abendo-se que os fungos necessitam de calor e humidade para se desenvolver, em anos como referido, a AVIPE teve agricultores que não fizeram qualquer tratamento entre março e junho om fungicidas e, os que fizeram, basearam-se num receio popular, legítimo, mas apenas com uas ou três aplicações. Foi a presença frequente da AVIPE no campo, e uma relação de confiança e mais de 20 anos em alguns casos, que permitiu esta gestão. Foram decisões suportadas nos ados, no histórico das parcelas, no conhecimento das substâncias ativas, na correta calibração e pulverizadores com escolha acertada de bicos e pressão. A estes dados, junta-se a consulta de previsões meteorológicas acessíveis a qualquer um para e fazer a avaliação do risco. Estas avaliações, para além de considerarem os volumes de recipitação e temperatura, olham também para o vento, horas de folhas de molhada e, mais oncretamente, para as temperaturas que se verificam quando chove ou quando as humidades elativas estão mais elevadas. Não será por se instalarem mais estações meteorológicas nem por e adotarem modelos de doença mais comerciais que os resultados serão melhores, mas sim ela sua análise. s soluções comerciais poderão ajudar na definição do risco, com base nos dados recolhidos ao ongo do tempo, mas importa ter em conta as circunstâncias particulares das doenças, as suas ormas de proteção, o histórico da parcela e a variedade em causa. or exemplo, no caso do oídio, é fulcral conhecer a existência de inóculo para, se for necessário, niciar uma estratégia preventiva mesmo antes das condições climáticas o indicarem. No caso do -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 Temperature (ºC) Precipitação (mm) 80.0 60.0 40.0 20.0 0.0 -20.0 -40.0 -60.0 -80.0 -100.0 Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro as temperaturas que se verificam quando chove ou quando as humidades relativas estão mais elevadas. Não será por se instalarem mais estações meteorológicas nem por se adotarem modelos de doença mais comerciais que os resultados serão melhores, mas sim pela sua análise. As soluções comerciais poderão ajudar na definição do risco, com base nos dados recolhidos ao longo do tempo, mas importa ter em conta as circunstâncias particulares das doenças, as suas formas de proteção, o histórico da parcela e a variedade em causa. Por exemplo, no caso do oídio, é fulcral conhecer a existência de inóculo para, se for necessário, iniciar uma estratégia preventiva mesmo antes das condições climáticas o indicarem. No caso do míldio, para condições semelhantes, as castas Antão Vaz ou Aragonês são muito mais suscetíveis do do que as castas Fernão Pires ou Syrah, e isso significa estratégias de proteção diferentes. Há ainda a considerar o vigor vegetativo ou a gestão do solo. Não será conveniente que a “digitalização” deturpe o princípio da prevenção em detrimento da ação curativa. A AVIPE tem estado a estudar soluções que facilitam o apoio técnico ao ajudar na localização dos mais diversos problemas nas parcelas de vinha, tornando desta forma o trabalho mais eficiente. Mas se os exemplos referidos se referem a doenças fúngicas, no caso das pragas, verifica-se o oposto. Em anos mais quentes e secos, a pressão de pragas aumenta, as dinâmicas alteram-se, surgem novos problemas e as soluções fitossanitárias já não são garantia de sucesso no seu controlo. Para auxiliar à monitorização das pragas, a AVIPE instala cerca de 20 armadilhas delta para a traça da uva (lobesia botrana) e a crytpoblabes gnidiella e 20 armadilhas cromotrópicas para controlo da cigarrinha verde. Estas armadilhas têm no custo e na sim-
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