73 O uso de dados no contexto da extensão rural: inovação, conhecimento, formação e aplicação MIGUEL CACHÃO E ANA CHAMBEL Associação de Viticultores do Concelho de Palmela (AVIPE) A AVIPE – Associação de Viticultores do Concelho de Palmela1 – tem na sua origem o acompanhamento técnico aos viticultores, cobrindo uma área de cerca 5 000 ha de vinhas, propriedade de 350 agricultores, na região da Península de Setúbal e Carcavelos. É uma associação que desenvolve a sua atividade na gestão de pragas e doenças, apoio à rega e nutrição da vinha, gestão do solo e infestantes, condução da vinha, entre outras temáticas que possam ajudar o agricultor a ultrapassar os mais diversos problemas, como seja a elaboração de projetos de investimento e de reestruturação de vinhas. Tem também uma forte componente formativa, respondendo às necessidades dos agricultores com cursos como Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos (APF), Conduzir e Operar com o Trator em Segurança (COTS), apoio ao jovem agricultor e Produção Integrada (PRODI). Em 2018, a AVIPE iniciou a participação em projetos europeus de investigação, o que lhe permitiu iniciar ensaios e ações demonstrativas em áreas como o solo, a biodiversidade, a proteção sanitária e a rega. Também foi possível envolver-se na área da eno1 https://www.avipe.pt/ logia, onde elabora microvinificações com castas pouco conhecidas ou realiza ensaios de campo em que se pretende avaliar o respetivo impacto no vinho produzido. A digitalização é uma área em que a AVIPE tem participado, mas sempre tendo em consideração a realidade do sector e os seus agricultores e nunca uma imagem de ficção científica ou de progresso ultramoderno obrigatório de ser implementado. A certeza das alterações climáticas é dada pela observação e análise dos dados climáticos. Dizem- -nos os dados das estações meteorológicas da AVIPE que a tendência é para menos chuva e temperaturas mais elevadas. São estes mesmos dados que nos obrigam a uma mudança acentuada na forma como são feitos os aconselhamentos, mais concretamente em termos de fitossanidade, gestão do solo, rega, nutrição e condução da vinha. Considerando o exemplo da campanha 22/23, e focando-nos apenas nos meses de desenvolvimento da videira, março-setembro, podemos verificar que as anomalias são efetivamente positivas para a temperatura e negativas para a precipitação.
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