Cultivar_33

64 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura tância da informação, ser possível criar um melhor arquivo histórico do que aquele que existe atualmente. Nos dados mais ligados à produção, há muitos com relevância: destaco os meteorológicos (sendo que as previsões ainda não conseguem ser 100% fiáveis), mas também os de solo. No caso dos dados relativos ao solo, não falo apenas de análises de diversos teores ou da condutividade elétrica, mas também, por exemplo, da Carta de Solos de Portugal (dados com mais 50 anos, mas de enorme valor). A expectativa da monitorização e geração de dados on-time, tanto do estado das culturas como dos animais é muito atrativa, mas penso que ainda estamos a alguma distância em termos de fiabilidade. 2 – Como são geridos e armazenados os dados da exploração e quais os principais desafios encontrados no processo? Na nossa exploração agrícola, uma parte muito importante dos dados (mas não todos) é carregada, armazenada e gerida através de uma base de dados construída internamente num software do Office (Microsoft Access). Funciona em primeiro lugar como software interno de contabilidade analítica – o que permite ter centros de custo / contas de cultura atualizadas ao momento, bem como os resultados de anos passados –, mas também como software de gestão animal (registos de nascimentos, mortes, saídas, pesos de abate, intervenções veterinárias…). Serve ainda de controlo, face às estimativas, aos recebimentos de ajudas da Política Agrícola Comum (PAC). É também a partir deste software que se extraem as faturas de fatores de produção (sobretudo adubos e fitofármacos) que alimentam o Caderno de Campo formal de cumprimento das medidas de apoio da PAC. Já utilizamos este software desde 2006, pelo que já detemos uma quantidade de dados considerável. A maior dificuldade, neste nosso caso em particular, é o carregamento dos dados. É moroso, já que os dados chegam em folhas de Excel ou mesmo em folhas escritas à mão, vindas diretamente do campo. Existe ainda outra dificuldade, menor, que é a forma de carregar e classificar os dados não ser totalmente uniforme entre as várias pessoas que têm essa função. Há sempre casos de alguma subjetividade que, por vezes, acabam por ser classificados de duas maneiras distintas. Apesar do referido, temos também muita informação ainda dispersa por vários documentos Excel muitas vezes dominados/entendidos apenas por quem os constrói e utiliza. Há ainda dados para os quais já existe a capacidade de monitorizar e arquivar, mas que por vários motivos (falta de tempo, investimento, escolha das plataformas, necessidade de formar os operadores, entre outros), essa capacidade ainda não é posta em prática. Por exemplo, não monitorizamos nem arquivamos com rigor os consumos das várias máquinas agrícolas, o que faz com que, na construção das contas de cultura, tenhamos de atribuir um valor horário aproximado para cada operação. Estamos, contudo, a pensar adquirir um sistema que comunique a localização on-time de cada trator, bem como a alfaia que tem acoplada e os consumos que estão a ocorrer. 3 – Qual a importância e quais os desafios da partilha de dados, de informação e de conhecimento? Em termos gerais, partilhar informação e conhecimento é fulcral em qualquer atividade económica.

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