Cultivar_33

Os dados na decisão: um olhar da administração no setor agrícola – organizar a oferta para fomentar a procura 43 pontos específicos da sua exploração, entre outros. Estes dados são utilizados para otimizar recursos, melhorar o rendimento das culturas e reduzir impactos ambientais, nomeadamente, no âmbito da agricultura de precisão. Apesar do seu caráter privado, estes dados têm potencial para alimentar sistemas colaborativos de informação, desde que respeitadas as normas de confidencialidade e propriedade dos dados. A articulação entre dados públicos e privados, com base em normas abertas e infraestruturas interoperáveis, constitui um passo crucial para o desenvolvimento de um ecossistema digital agrícola mais integrado e eficiente. Um dos principais desafios na utilização conjunta de dados georreferenciados públicos e dados individuais dos produtores é a interoperabilidade e harmonização da informação. Muitas vezes, os dados são recolhidos em formatos distintos, com diferentes escalas espaciais, resoluções temporais ou sistemas de coordenadas, dificultando a sua integração eficaz. O desenvolvimento de plataformas digitais partilhadas, com interfaces amigáveis e baseadas em normas comuns (como a infraestrutura INSPIRE da UE14), poderá facilitar a fusão e o cruzamento de dados, promovendo uma visão mais holística das dinâmicas agrícolas e territoriais. Outro ponto relevante é a governança dos dados agrícolas, sobretudo no que diz respeito à propriedade, partilha e valorização daqueles que são gerados pelos produtores. Estes 14 https://knowledge-base.inspire.ec.europa.eu/index_en 15 A expressão remete para os commons ou “bens comuns” e poderá vir a traduzir-se simplesmente por “dados comuns”, referindo-se a dados que são partilhados livre e publicamente, para promover a colaboração e a inovação. dados, muitas vezes sensíveis e estratégicos, devem ser protegidos contra usos indevidos, mas podem também ser uma mais-valia se integrados, por exemplo, em redes colaborativas locais ou sistemas de apoio à decisão. Modelos de governança baseados na confiança, como os data commons15 ou estruturas cooperativas de gestão de dados, estão a emergir como soluções inovadoras, permitindo aos agricultores manter controlo sobre os seus dados enquanto beneficiam da inteligência coletiva que advém da partilha seletiva de informação. 3. Conclusão A crescente complexidade e incerteza que caracterizam o setor agrícola exigem uma abordagem mais informada e estratégica na tomada de decisões. Neste contexto, os dados assumem um papel central, não apenas como instrumento técnico, mas como base para a construção de conhecimento e para o reforço das capacidades dos diversos intervenientes do setor. A administração pública, os produtores, as associações e os investigadores encontram nos dados um alicerce para decisões mais eficazes, sustentáveis e ajustadas a realidades em constante mudança. Contudo, a plena concretização deste potencial depende da superação de desafios estruturais, nomeadamente ao nível da literacia digital, da articulação entre sistemas de informação e da capacidade de recolha e integração de dados proveO desenvolvimento de plataformas digitais partilhadas, com interfaces amigáveis e baseadas em normas comuns … poderá facilitar a fusão e o cruzamento de dados, promovendo uma visão mais holística das dinâmicas agrícolas e territoriais. O envolvimento ativo [dos agricultores], enquanto primeiros detentores da informação sobre as suas explorações, é essencial para garantir a qualidade e a representatividade dos dados recolhidos. … a administração pública deve evoluir para uma cultura de dados mais colaborativa, transparente e orientada para o utilizador, com infraestruturas que promovam a interoperabilidade, a proteção da privacidade e a acessibilidade da informação.

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