Dos dados à decisão: transformar a agricultura através de sistemas e governação mais inteligentes 17 decisores políticos dispõem, por vezes, de informações pormenorizadas sobre as culturas que geram divisas, mas têm uma visibilidade limitada sobre as que garantem a segurança alimentar nacional. Fragmentação entre atores nacionais e internacionais Mesmo quando existe vontade de melhorar os sistemas de dados agrícolas, a fragmentação tanto entre as instituições nacionais como entre os parceiros internacionais compromete o avanço. Os ministérios, os serviços nacionais de estatística e os financiadores externos operam muitas vezes de forma compartimentada, cada um deles norteado por diferentes mandatos, calendários e estruturas de prestação de contas. Isto resulta em inquéritos sobrepostos, investimentos duplicados e sistemas paralelos que não comunicam entre si. Em muitos países, os parceiros de desenvolvimento lançam iniciativas de dados descoordenadas que resultam numa aglomeração de painéis de controlo (dashboards), cadastros e projetos-piloto, muitas vezes sem um plano de sustentabilidade a longo prazo ou uma ligação às prioridades nacionais. Os governos não são destinatários passivos desta fragmentação. A concorrência institucional conduz frequentemente a divisões internas no que se refere à propriedade dos dados e à autoridade sobre eles, criando um ecossistema fraturado em que os decisores não têm uma visão partilhada do setor agrícola. A plataformização da agricultura: riscos, lacunas e o papel dos sistemas públicos O setor agrícola é bastante mal compreendido. Muitas pessoas têm ainda uma visão romantizada da agricultura, imaginando paisagens bucólicas, práticas tradicionais e um modo de vida enraizado na comunidade e na gestão da terra. Para muitos produtores, isto continua a ser verdade: a agricultura é fundamentalmente uma casa e um meio de subsistência. Para outros, porém, a agricultura evoluiu para um empreendimento de alta tecnologia, gerido através de computadores, sensores e smartphones, integrado em cadeias de abastecimento globais e otimizado através da análise de dados. Ambos são agricultores, mas as realidades em que navegam são muito diferentes. Atualmente, as grandes empresas de tecnologia (Big Tech) e a indústria agroalimentar desenvolvem plataformas digitais integradas que reúnem serviços de consultoria, fatores de produção, financiamento e acesso ao mercado. Estes sistemas esbatem as fronteiras tradicionais e servem cada vez mais como uma estrutura organizadora do setor. A utilização inteligente dos dados é extremamente promissora. Pode reduzir custos de produção, otimizar a utilização dos recursos, prever colheitas e tendências de preços e minimizar perdas. Para muitos agricultores, isto pode levar a maior rentabilidade, competitividade e sustentabilidade. No entanto, esta “plataformização” da agricultura acarreta sérios riscos. À medida que estes sistemas se consolidam, tendem a reforçar o domínio de mercado dos operadores já existentes, a aumentar a dependência de ecossistemas fechados e a contribuir para paisagens de dados fragmentadas e compartimentadas. E, sobretudo, estes sistemas de dados de gestão privada contornam frequentemente os sistemas estatísticos nacionais. Quando os governos não conseguem ter acesso ou integrar os dados O setor agrícola é bastante mal compreendido. Muitas pessoas têm ainda uma visão romantizada da agricultura, imaginando paisagens bucólicas, práticas tradicionais e um modo de vida enraizado na comunidade e na gestão da terra. … a “plataformização” da agricultura acarreta sérios riscos. À medida que estes sistemas se consolidam, tendem a reforçar o domínio de mercado dos operadores já existentes, a aumentar a dependência de ecossistemas fechados e a contribuir para paisagens de dados fragmentadas e compartimentadas.
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