Cultivar_33

124 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura “A inteligência não requer necessariamente uma base biológica.” “… se um investigador de IA em 2002 pudesse de alguma forma interagir com qualquer um dos LLMs atuais, diria, sem hesitar, que a IAG [Inteligência Artificial Geral] já cá está.” 5. Inteligência Coletiva – A inteligência cresce quando se partilha, coordena e distribui por muitos agentes — humanos ou máquinas. Não se trata apenas de eficiência, mas de interdependência, adaptação e criatividade emergente. “Somos um superorganismo: a nossa inteligência já é coletiva e, portanto, de certa forma, sobre-humana. É por isso que, quando treinamos os LLM com base na produção coletiva de um grande número de pessoas, já estamos a criar uma superinteligência com uma amplitude e uma profundidade média muito superiores às de qualquer pessoa individual – embora os LLM continuem a ficar aquém dos especialistas humanos individuais nos seus domínios de especialização.” Os autores comparam esta transformação conceptual à revolução coperniciana, que deslocou a Terra do centro do universo. Tal como essa mudança paradigmática desafiou crenças profundamente enraizadas, a evolução da IA está a obrigar-nos a reconsiderar o nosso lugar no espectro da inteligência. À medida que a IA continua a avançar, teremos de reavaliar os nossos pressupostos sobre a natureza da própria inteligência, reconhecendo que ela pode 1 “Will the humanities survive Artificial Intelligence?”, D. Graham Burnett, The New Yorker, 26 de abril de 2025 https://www.newyorker.com/culture/the-weekend-essay/will-the-humanities-survive-artificial-intelligence manifestar-se de formas diversas e inesperadas, num mundo cada vez mais híbrido entre natural e artificial. “Talvez o grande trauma coperniciano da era da IA seja simplesmente aceitar que a inteligência geral não humana pode afinal ser comum.” No entanto, para alguns leitores, o artigo poderá parecer algo especulativo ou demasiado otimista em relação ao potencial da IA — especialmente no que toca à ideia de já estarmos a viver formas embrionárias de IAG. “Se quiseres, posso ajudar a explorar alguma destas ideias com mais profundidade. Há alguma que te intrigue mais?” Diz ele a concluir o seu trabalho. Não há nenhuma que me intrigue mais do que tu, caro ChatGPT/LLM. Ou como dizia um outro artigo sobre o tema: “Senti que estava a assistir ao nascimento de um novo tipo de criatura e também a ver uma geração confrontar-se com esse nascimento: um encontro com algo que é parte irmão, parte rival, parte criança-deus descuidada, parte sombra mecanomórfica – um estranho familiar”, “um novo tipo de pensamento-sentimento” que implica “uma nova consciência de nós próprios”: “ser humano não é ter respostas. É ter perguntas – e viver com elas”.1

RkJQdWJsaXNoZXIy MTgxOTE4Nw==