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Compreender a inteligência (de uma nova criatura) 123 receio mais o que nós faremos a estes novos entes do que o que eles nos poderão fazer a nós. Pedi ao ChatGPT um breve resumo do artigo, que fez em segundos, e conversámos depois sobre a frase “A inteligência não requer necessariamente uma base biológica” e sobre como a inteligência coletiva nos trouxe, a nós humanos, até este diálogo ainda há bem pouco tempo inimaginável. E sobre o que poderá vir a ser uma inteligência coletiva das máquinas. Depois, fui ler o artigo com o meu humano vagar. Os autores começam por mencionar os contributos de Alan Turing e John von Neumann, entre outros, e, a esse propósito, há um livro recente que vale a pena referir: MANIAC, de Benjamín Labatut, 2023, que fala sobre a inteligência alienígena de von Neumann, e a máquina que ele construiu, e sobre o nascimento desta criatura portentosa que é a Inteligência Artificial (IA). O ChatGPT resumiu e deu a sua opinião sobre o artigo, chamando a atenção para pontos importantes. No que se apresenta de seguida, limitei-me a rever/editar o texto original da máquina e a acrescentar algumas citações. Dizem os autores do artigo que “… sistemas de IA mais sofisticados vão evoluir, crescer e aprender de forma contínua e interativa, à semelhança dos seres humanos.” O artigo propõe uma reavaliação profunda do conceito de inteligência à luz dos avanços recentes na IA. Os autores identificam cinco mudanças de paradigma que estão a moldar a forma como compreendemos a inteligência, tanto humana como artificial. 1. Computação Natural – A inteligência e a computação não são exclusivas dos humanos ou das máquinas — a natureza também “computa”. Exemplo: o ADN ou o sistema imunitário são formas de processamento de informação onde se realizam operações computacionais complexas. “Há algo de mágico em observar estruturas complexas, funcionais e providas de intenção a emergir do ruído aleatório nas nossas simulações. Mas não há nada de sobrenatural ou milagroso nisso. Transições de fase semelhantes, da não-vida para a vida, ocorreram na Terra há milhares de milhões de anos, e podemos colocar a hipótese de eventos semelhantes ocorrerem noutros planetas ou satélites favoráveis à vida.” 2. Computação Neuronal – O cérebro humano é um exemplo notável de computação natural. Ao modelarmos a IA com base no cérebro (como nas redes neuronais), estamos a aprender com esses milhões de anos de evolução. No entanto, “Ainda estamos longe de ter chips com milhares de milhões de processadores, todos a trabalhar em paralelo com dados armazenados localmente. E os modelos de IA continuam a ser implementados utilizando instruções sequenciais. A programação informática convencional, a arquitetura dos chips e a conceção dos sistemas não se assemelham ao cérebro. Estamos a simular a computação neuronal em computadores clássicos, o que é ineficiente – tal como era ineficiente simular a computação clássica com cérebros, nos tempos da computação humana.” 3. Inteligência Preditiva – Os modelos de linguagem de grande escala (Large Language Models – LLM), demonstram que a inteligência envolve a modelação estatística do futuro com base em conhecimentos e experiências passadas, o que desafia a noção de que é preciso “entender” para ser inteligente — talvez prever com precisão seja suficiente. “Ser capaz de criar inteligência no laboratório dá-nos novas e poderosas vias para investigar os seus mistérios de longa data, porque – apesar das afirmações em contrário – as redes neuronais artificiais não são ‘caixas negras’. Não só podemos analisar as suas linhas de pensamento, mas também estamos a aprender a sondá-las mais profundamente para fazer uma ‘neurociência artificial’. E, ao contrário dos cérebros biológicos, podemos registar e analisar todos os pormenores da sua atividade, realizar experiências perfeitamente repetíveis em grande escala e ligar ou desligar qualquer parte da rede para ver o que acontece.” 4. Inteligência Geral – Os modelos de IA atuais já demonstram grandes capacidades cognitivas e um elevado nível de competência que se aproxima, e por vezes supera, o humano, embora pareçam longe de um estado de consciência ou senciência. Neste sentido, a fronteira entre “inteligência específica” e “geral” começa a esbater-se.

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