Cultivar_33

10 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura lizadas que ignoram práticas sustentáveis já adotadas. A inclusão de dados atualizados e granulares é essencial para refletir com precisão o impacto real do setor. Plataformas integradas e acessíveis ajudariam a fundamentar políticas mais justas, eficazes e alinhadas com objetivos nacionais, comunitários e internacionais. A fechar esta secção, Eduardo Reis, do GPP, sublinha que a agricultura digital gera valor, mas também levanta desafios legais. Afirmando que “os dados gerados pela crescente digitalização da agricultura são económica e juridicamente importantes”, o artigo destaca que tanto os dados pessoais como os não pessoais exigem proteção jurídica, sob pena de se gerar desconfiança por parte dos agricultores. O autor conclui com a apresentação de algumas propostas para o conseguir, como promoção da literacia digital e jurídica, participação ativa dos agricultores e sensibilização para a partilha de dados ou a criação de um quadro regulamentar nacional de proteção de dados não pessoais. A abrir a secção Observatório, apresentamos a perspetiva de dois agentes com uma ligação mais e menos direta ao setor, desta vez um agricultor, Afonso Bulhão Martins, e um não agricultor, o consultor João Matos. De seguida, José Santos-Victor, do IST, reflete sobre os desafios e oportunidades da robótica e da Inteligência Artificial na agropecuária, destacando projetos do LARSyS, como robôs para manutenção de estufas, estimativas de produção vitivinícola e uso de sensores móveis e drones. Defende a criação de open-labs e o reforço da formação avançada para promover soluções sustentáveis, produtivas e inovadoras no setor. Miguel Cachão e Ana Chambel descrevem a atuação da AVIPE no apoio técnico aos viticultores da Península de Setúbal, centrando-se na utilização de dados e tecnologias para enfrentar desafios como alterações climáticas, doenças e pragas ou gestão da rega. Destacam o uso de estações meteorológicas, sensores e armadilhas, bem como a participação em projetos de investigação aplicada. A digitalização é valorizada, mas os autores salientam que tem de ser adaptada à realidade dos agricultores. A extensão rural e o fator humano continuam essenciais para o sucesso das soluções tecnológicas. O artigo de João Falcão e Hugo Lopes apresenta a experiência do IFAP na abertura de dados geográficos, transformando recursos internos em bens públicos. Desde 2017, dados como os do Parcelário e do Pedido Único são disponibilizados de forma gratuita, transparente e alinhada com as normas europeias. Através de visualizadores e serviços compatíveis com a Diretiva INSPIRE, o IFAP promove inovação, eficiência e valor público, destacando-se na utilização de imagens de satélite e tecnologias livres para fomentar o uso estratégico de dados na agricultura. Helena Alegre, do GPP, relata que a União Europeia (UE) utiliza desde 1993 o sistema MARS (MCYFS) do Centro Comum de Investigação (JRC) para prever rendimentos agrícolas e monitorizar colheitas. O sistema combina dados meteorológicos, modelos de simulação (como o WOFOST) e teledeteção por satélite para fornecer previsões mensais essenciais à estabilidade dos mercados mundiais, gestão da Política Agrícola Comum (PAC) e tomada de decisão em matéria de políticas públicas. Os Boletins MARS são utilizados por operadores comerciais, investigadores e decisores políticos em toda a UE. O artigo de Arlindo Santos, da AGIF, descreve o desenvolvimento do Sistema de Informação de Fogos Rurais (SIFoR), coordenado pela Agência, Carta de produtividade de milho, 2017 Fotografia de João Coimbra

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