82 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura visão é clara: criar um ecossistema europeu de dados geoespaciais agrícolas, acessível, interoperável e reutilizável. Dois novos desafios colocam-se agora: 1. A publicação de conjuntos de dados de elevado valor definidos pela Comissão Europeia, como as parcelas agrícolas e de referência; 2. A produção de novas camadas de informação geográfica a partir do Sistema de Vigilância de Superfícies (SVS), com base em imagens de satélite, que deverão também ser disponibilizadas para reutilização pública. Nesse sentido, a informação geográfica disponibilizada pelo IFAP está de acordo com a Diretiva INSPIRE, estando a mesma acessível na respetiva página de internet: https://inspire-geoportal.ec.europa.eu/. Com o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) 2023, o SVS tornou-se obrigatório, exigindo um salto tecnológico significativo: a conjugação de dados declarativos com dados do programa Copernicus, o desenvolvimento de modelos de Inteligência Artificial para classificação de culturas ou o cumprimento de alguns requisitos para a atribuição de apoios, como por exemplo o alagamento da cultura do arroz, e o tratamento de volumes de dados nunca antes geridos pela instituição. Só em 2023, os dados das bandas das imagens Sentinel-2 relativos às culturas declaradas envolveram 183 milhões de registos, número que subiu para 187 milhões em 2024. As imagens Sentinel-2 já estão a ser disponibilizadas nos visualizadores do IFAP, tanto numa composição de cor natural (RGB) como numa composição de falsa cor (NIR), permitindo aos agricultores identificar melhor as folhas de cultura, monitorizar o seu estado ou detetar falhas de rega. Esforço que compensa A criação e a manutenção destas plataformas representaram um investimento significativo, particularmente em desenvolvimento informático, uma vez que as soluções tecnológicas adotadas assentam em softwares de uso livre, designadamente o GeoServer, o Openlayers, o Quantum Gis, o formato Geopackage e a linguagem Python. Mas os benefícios superam largamente os custos. Ao tratar a informação uma única vez e disponibilizá-la para múltiplos fins, o IFAP promove eficiência institucional, inovação científica e valor público. A utilização dos dados disponibilizados é expressiva. Tabela 1 – Quantificação do número de acessos ao Serviço de Dados Geográfico do IFAP Ano Nº de acessos 2022(1) 535 255 2023 2 038 134 2024 1 668 865 2025(2) 541 548 (1) Nº de acessos entre os meses de agosto e dezembro (2) N.º de acessos até 29 de maio de 2025 Partilhar é potenciar O IFAP não se limita a ser um fornecedor de dados. Assume-se como facilitador de conhecimento, promovendo o uso estratégico da informação geográfica para fins públicos e privados. Esta visão está alinhada com as diretrizes da União Europeia e com os princípios da Diretiva INSPIRE, contribuindo ativamente para um espaço comum de dados agrícolas à escala europeia. Partilhar é, de facto, multiplicar. E é na capacidade de partilhar com responsabilidade, rigor e visão estratégica que reside o verdadeiro poder transformador dos dados públicos. Figura 3 – Soluções tecnológicas utilizadas
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