Cultivar_33

AgronomIA – será que a Inteligência Artificial nos coloca perante uma revolução agrícola baseada em dados? 31 • Integração com robótica e IoT (Internet das Coisas): ativação automática de sistemas de rega, drones ou alertas, mediante análise contextual autónoma — a chamada Agentic AI. Conclusão O futuro da agricultura será, inevitavelmente, digital, inteligente e orientado por dados. Mas mais importante do que a adoção acrítica da tecnologia é assegurar que esta se traduz em valor real para o território, o agricultor e a sociedade. Isso só será possível com dados de qualidade, bem governados, e com capacidade humana e institucional para os transformar em conhecimento acionável através da exploração das capacidades analíticas, potenciadas pela IAG, ao nosso dispor. Uma nota para o enorme desafio que o capital humano constitui nesta equação. A velocidade a que muda o ambiente tecnológico em que a atividade agrícola hoje desenvolve a sua atividade implica a necessidade de uma permanente atualização de competências em matérias de transformação digital. Este desafio não poderá ser respondido pelo agricultor individualmente, assistindo-se hoje a um esforço significativo das organizações de agricultores em desenvolverem projetos que apostam precisamente em responder a esta necessidade, como por exemplo o projeto de formação e ação de transformação digital Data-Dri4 https://ruraldados.pt 5 http://akisportugal.pt ven Agriculture da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Assim, a concretização do potencial dos dados e da IA no setor agroflorestal exige uma visão estratégica e integrada. Nesse sentido, é necessário investir em: • Reforço das infraestruturas digitais abertas e interoperáveis, com dados normalizados e acessíveis, como é um bom exemplo o RuralDados4; • Criação de modelos de partilha de valor, que assegurem justiça e incentivo à partilha de dados por parte das diferentes partes interessadas; • Disseminação dos quadros regulatórios para garantir privacidade, segurança e uso responsável dos dados (RGPD e Regulamento IA); • Investimento na capacitação técnica dos agricultores e técnicos, com formação contínua em literacia digital e analítica; • Reforço dos instrumentos públicos e políticas de inovação, como o AKIS5, que promovem a construção de comunidades de prática e a partilha de conhecimento. Portugal tem as competências, a criatividade e a base científica para liderar esta transformação. O tempo de agir é agora. O futuro da agricultura será, inevitavelmente, digital, inteligente e orientado por dados. Mas mais importante do que a adoção acrítica da tecnologia é assegurar que esta se traduz em valor real para o território, o agricultor e a sociedade. Portugal tem as competências, a criatividade e a base científica para liderar esta transformação. O tempo de agir é agora.

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