Gapminder: desmistificar o mundo através dos dados 127 Num artigo escrito para o Financial Times pouco depois da morte de Hans Rosling, em 2017, intitulado O problema com os factos3, Tim Harford argumenta, com base em vários exemplos, que embora os factos sejam essenciais, nem sempre são eficazes para mudar opiniões ou combater a desinformação. E conclui com um apelo ao estímulo da curiosidade científica, mais do que da mera literacia científica, e a que sejamos mais estratégicos, mais humanos e mais criativos na forma como comunicamos o conhecimento — exatamente o que Rosling fazia: “O que precisamos é de um Carl Sagan ou David Attenborough das ciências sociais − alguém capaz de 3 The Problem with Facts: https://timharford.com/2017/03/the-problem-with-facts/ criar um sentimento de prodígio e fascínio em relação não só à estrutura do sistema solar ou à luta pela vida numa floresta tropical, mas também ao funcionamento da nossa própria civilização: saúde, migração, finanças, educação e diplomacia.” (Agricultura, acrescentaríamos nós.) “Um candidato teria sido o médico e estatístico sueco Hans Rosling, que morreu em fevereiro (…e) caracterizava a sua tarefa como sendo a de contar às pessoas os factos – ‘descrever o mundo’. Mas os factos (…) raramente se defendem sozinhos − precisam de alguém que nos faça interessar por eles, que nos deixe curiosos. Foi isso que Rosling fez. E perante a possibilidade apocalíptica de um mundo onde os factos não importam, é esse o exemplo que temos de seguir.”
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