Cultivar_33

116 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 33 ABRIL 2025 – Dados na agricultura Por outro lado, o último Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Empresas (que não abrange as empresas do setor primário e as microempresas) aponta para um crescimento do peso das empresas (com pelo menos 10 pessoas) que utilizam tecnologia de inteligência artificial (de 7,9% em 2023 para 8,6% em 2024)2. O maior interesse e procura por soluções de IA para objetivos de eficiência económico-financeira e ambiental e de apoio à decisão não são exclusivos diferenciadas (aplicação de fertilizantes ou fitofármacos, regas, sementeiras/plantações, etc). Apesar de ainda ser uma realidade marginal, com 0,3% das explorações a referirem a disponibilidade desses dados e 0,2% a efetuarem operações culturais com taxa diferenciada em resultado da análise dos dados georreferenciados, as áreas e os efetivos associados a essas explorações (e potencialmente beneficiados por estas tecnologias) são mais importantes: 4,2% da SAU e 1,6% das CN pertencem a explorações com disponibilidade destes dados (com 2,3% e 0,8%, respetivamente, a referirem o seu uso para definir operações culturais).” (Fonte: RA2019, INE) 2 Para 36,6% destas empresas a IA tem como propósito a “Organização de processos administrativos do negócio ou de gestão da empresa” e para 33,2% é relevante para funções de “Marketing ou vendas”. Quanto aos tipos de tecnologias IA, 48,1% das empresas recorre a “análise de linguagem escrita” e 41,7% a “automatização de diferentes fluxos de trabalho ou auxílio na tomada de decisão”. O mesmo inquérito refere que 9,5% empresas ponderam vir a utilizar a IA, e só não utilizam já por “falta de conhecimentos adequados na empresa” (70,3%), “custos parecerem demasiado elevados” (59,3%), “falta de clareza sobre as consequências legais”, nomeadamente sobre a responsabilidade em caso de danos causados pelo uso de IA (56,3%) e “preocupações relativas à violação da proteção de dados e da privacidade” (55,2%). dos setores de atividade industrial e dos serviços. A produção primária tem grandes vantagens em adotar estas tecnologias, conforme abordado no artigo analisado. Contudo, a maior ou menor rapidez de disseminação destas tecnologias pela economia, e em particular pela agricultura, dependerá de diversos aspetos (com relevância nas políticas públicas) como sejam o custo, o acesso à Internet (nomeadamente nas zonas rurais), o quadro legislativo, a literacia tecnológica ou a adaptabilidade dos produtos/ serviços à atividade.

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